quinta-feira, 14 de maio de 2009

Talvez ela me venha me falar do amor como uma moral, pois ela parece ser uma pessoa que respeita instituições e costumes. Um negociador tentaria explicar Hakim Bey e Nietzsche como se eles fossem uma leve brisa que passa pela vida da gente. Mas são na verdade uma tempestade. O amor também é uma tempestade. O amor não tem nada de boa educação ou comportamento. É mais anarquia do que democracia. Ninguém é obrigado a amar. Amar pressupõe afinidades. Amar pressupõe também liberdade. Ninguém é proprietário no amor. Porque ele é antes uma não-matéria, uma não-mercadoria, um não-objeto. Sentir dores no amor é como pedir ao sol para nascer mais tarde e ficar furioso porque ele não o fez. Ninguém é culpado ou inocente no amor, porque o amor está muito além do bem e do mal. O amor está muito além de qualquer moral.



texto: Alex Lima

Se existe paraíso mais delicioso do que esse me diga agora. Porque o cheiro, o corpo, a saliva... A cada dia suspiros mais fortes. Em mim tudo melhora e não faz diferença o tempo, que parece não existir. O coração que se escuta batendo tão forte como um coelho que é presa fácil mas nunca vai ser alcançado corre desesperadamente por caminhos violentos. Sim estamos perdidos e felizes, mas nada importa. Porque se eu soubesse que era tão bom não tinha demorado elaborando estratégias. Mas tudo é justo porque estávamos verdes e acabamos de cair. As mãos certas, a boca certa. Estão sendo saciadas todas as saudades.


foto e texto: Alex Lima